quarta-feira, 27 de maio de 2009

Tradição .

A noite foi longa,repleta de risos,abraços, beijos, besteiras comidas e faladas ...

Eu estava numa alegria inabalável, feliz como há muito tempo não me sentia ( nada muito diferente de todas as ultimas noites dela aqui – fato não muito comum). Fica sempre mais divertido quando forma-se o trio. Somos como um tripé – forte, bonito,fiel e indestrutível - que sustenta muito mais do que um laço familiar . Se fosse apenas isso, o carinho não seria tanto .

Vou ter que admitir que isso precisa ser explicado pela química – apesar de odia-la, ela explica muitas coisas .

Eu sempre imagino nossa relação como uma mistura, cujos reagentes somos nós três e o produto originado da mistura dá origem a uma solução que contém: família,amizade,carinho,respeito,confiança,parceria e diversão . Incontestável ! Nossa química é perfeita ! Da mistura sai até fumaça e a cor final é linda de se ver – um tom de verde aberto, quase que verde-limão .

Mergulhadas na magia da substância – no seu encanto,brilho e beleza – e acompanhadas pela câmera fotográfica que nos ajudava a registrar momentos que jamais seriam esquecidos, nem vimos a hora passar. Quando fui dar-me por mim, já não tinha mais nem uma hora para dormir . Eu sabia o quão difícil seria acordar e deixar para trás aquela cama quentinha e macia, fato este que não se fez de suma importância a ponto de me fazer quebrar o “ritual da ultima noite” – nossa tradição .

Cansadas, desabamos e quarenta minutos depois, fui abordada por uma voz baixinha e sonolenta que fazia a pergunta diária e matinal mais irresistível : “ você vai à escola hoje ? “

Ao levantar notei minha colcha com o semblante triste e olhos caídos ao me ver partir – fato que me fazia desejar ainda mais voltar e fazê-la feliz – mas forte e bravamente encarei o sono e assim que dei o tradicional “bom dia “ , senti que o dia de algumas pessoas não começara bem . Não obtive resposta. Mal sinal . O olhar repreensivo da minha mãe me assustava.

Não tive escolha . Abaixei a cabeça e segui até a mesa.Eu sabia que havia errado. Deixei-a à vontade para falar tudo que ela achasse que eu deveria ouvir. Enquanto eu comia, meu esôfago parecia apertado – pela dificuldade de engolir – e a comida parecia que jamais chegaria até meu estômago – visto que este se contorcia feito minhoca e misturava tudo que estava lá dentro, como num liquidificador .

Terminei de comer em silêncio absoluto enquanto ela não parava de falar . Eu mereci essa brinca! Admito que errei. Além de ter comido besteiras engordativas, ainda passei a noite acordada- tendo aula no dia seguinte. Irresponsabilidade, eu sei . Ainda bem que ela não sabe – não que foi até tão tarde essa “despedida” .

Recebi bronca por dois deslizes que me prejudicaram demais . Além de eu ter ido para a escola que nem múmia - andando me arrastando, com marcas visíveis de cansaço e noites mal dormidas- ainda engordei 3 kg . A despedida tradicional da integrante principal da noite – aeroporto,etc- nem tive condições físicas de cumprir. Dormi feito pedra .

Essa noite de fato prejudicou o andamento do meu dia – e semana- mas valeu tão a pena que além de eu afirmar que faria tudo denovo, eu ainda tenho a ousadia de desejar, de sonhar, de querer com todas as minhas forças que essa noite se repetisse com todos os detalhes- sem tirar nem por .


- Fabiana Angeline e Thayana .

Um comentário:

  1. Uma tradição que nunca vai acabar! haha
    te amo
    ps- minha mae tbm não sabe que foi até tão tarde !

    ResponderExcluir