terça-feira, 12 de julho de 2011

Cuidado! Eu sou um perigo!



"Me lembro quando criancinha
minha mãezinha ralhava comigo.
Dizia pra Dona Chiquinha: 
"essa garotinha vai ser um perigo".
Corria para me bater e ao correr, ela gritava:
"para, menina, para, se não vás apanhar. 
Para, menina, para, se não vás apanhar"!
Qual nada, eu não parava, continuava sempre a correr.
O sol parecia brasa e eu só chegava em casa ao anoitecer.
Aí eu ajoelhava, ela perdoava e não batia não.
Aí eu ajoelhava, ela perdoava e não batia não."


Sem motivo ou razão de ser, volta e meia essa música -que muito me lembra minha avó- vem a minha cabeça me fazendo ter flashes de quando ela cantava para mim, antes de eu ir dormir.
Acertou! Virei um perigo. Se não tiver alguém consciente perto de mim, 24 horas por dia, faço coisas que minha cabeça curiosa me manda e sigo caminhos que meus instintos nada maduros me dizem que são errados. Mas num debate entre curiosidade e instintos, com certeza os instintos deveriam vencer, mas a curiosidade fala mais alto.
E é seguindo essa linha de pensamento que cheguei a conclusão de que o que minha avó falava de mim e cantava pra mim, hoje fazem todo sentido.
Sim, sou perigosa.
Sou maluca de ciumes, posso colocar fogo na casa tentando fritar um ovo, quando fico com raiva, quero bater em todo mundo, gosto tanto de aproveitar os prazeres da vida que acabo indo além do que eu deveria.
Sou perigosa!
Dependendo da pessoa, posso e sei fingir. Sei mentir, omitir, rir mesmo sem vontade e ficar séria querendo rir.
Tenha medo! 
Posso não ser confiável como você pensa e toda essa segurança que te passo pode em um segundo se desfazer no vão de tantas coisas que inventei para te conquistar. Ou que omiti para te convencer.
Te confundi? Pois é!
Viu que perigo?
Agora você está aí com as sobrancelhas franzidas, tentando entender ao menos uma linha do que eu tentei dizer.
Também posso te manipular, persuadir, fazer você se irritar e depois usar isso como uma arma contra você.
Abra bem os olhos.
Pode ser que nada do que eu disse até agora seja verdade. Posso estar inventado para te prender ao texto ou posso estar me descrevendo para que você me conheça.
Cuidado! Olha que perigo. Você achando que tudo isso era verdade e de um instante para o outro tudo vira mentira.
É como eu sempre digo: "todo sim, pode um dia virar não". 
Mas não espere que vire não para aproveitar a beleza do sim.
Viajei né?
Olha que manobra arriscada, quase que eu esqueço de retornar a tempo de te dizer: Cuidado! "Essa garotinha é um perigo!"

domingo, 10 de julho de 2011

Imparcial e solitária



Estou me sentindo um pouco distante das pessoas, dos meus objetivos, dos meus sonhos, de tudo.
Me sinto imparcial. Talvez por eu não querer arrumar briga/confusão/estresse, eu acabe ficando calada, quieta, na minha.
Ontem foi prova viva disso. Minha melhor amiga está diferente comigo, inventa mil desculpas para justificar suas ausências, não me liga, pouco se importa e não sou eu quem vai ficar cobrando. Como já dizia nosso grande William Shakespeare: “plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores”, ou seja, faça por onde e as borboletas vão escolher o seu jardim para sobrevoar.
Não adianta ser chato, egoísta, hipócrita, cobrar algo dos outros e ainda querer ser atendido.
Então, o que eu faço é simplesmente, ficar quieta, sem cobrar o carinho de ninguém.
Pode ser por conta da excitação que está com o clima de começo de namoro, aliás, pelo que conheço minha amiga, com certeza é isso. Mas fico triste em me sentir assim diante das atitudes que ela tem tomado.
Bom, pra começar, me sinto distante dela.
Minha mãe é outra que só sabe me criticar e arrumar confusão comigo. Só quer brigar, xingar, gritar, não quer que eu responda e ainda pretende que eu tome alguma atitude de carinho com relação a ela.
Se ela não cuida do jardim dela, não sou eu a borboleta que vai resolver voar nesse clima tão pesado. Vou procurar um jardim mais florido para me abrigar.
Meu pai sempre esteve distante e frio comigo, mas agora está muito mais. Minha mãe ocupa quase todo tempo livre que ele tem e não lhe resta nada para me dizer um oi quando chega. Talvez ele se destraia e esqueça, mas isso nunca aconteceu antes.
Minha irmã nem se fale. Tem dias que não conversamos sobre como estamos nos sentindo...
O Beto ficou triste comigo só porque eu quis sair com as minhas amigas, sendo que ele nem é meu namorado e só estamos ficando há duas semanas.
Depois 90% dessas pessoas que citei, ainda vem querer me impedir de fazer besteiras. Mas eu não encontro um ponto de equilíbrio. Então, a tendência é procurar subterfúgios para tentar me refugiar de tanta confusão.
Tenho medo de me entregar, tenho raiva da minha mãe, saudades da minha irmã e fico triste pelo meu pai. Com relação à Luisa... Eu não esperava menos. Ela é muito de momento e nesse ela está com o Renan. Tudo bem.
Tenho a May, eu sei, ela tem me feito muito bem, apesar de discordar de mim em muitos aspectos e acabar ou não me deixando a vontade ou me fazendo ficar irritada. Mas mesmo assim ela tem exercido uma grande função.
Me sinto sozinha, triste... 
Não quero cobrar nada de ninguém. Vou continuar sendo imparcial até onde eu aguentar. Discutir é pior, posso acabar fazendo mal à quem acha que está tudo bem entre a gente. Não vou discutir a relação com absolutamente ninguém e só vou dizer o que sinto pra quem perguntar.
Quero aprender a ficar mais calada, mas quieta, refletir mais sobre mim e sobre minhas atitudes.
Quero paz e solidão. 
Mas uma solidão à dois...
Pode ser o Beto, aliás, quero muito que seja ele. Mas ainda estamos nos conhecendo e tá cedo pra exigir tanto.
Trancada no meu quarto volto a pensar sobre a minha vida solitária e livre.
Admito, estou na TPM, mas isso não tem tanto a ver. Quer dizer, até tem porque estou sentimental, mas enfim... A verdade é uma só: Preciso urgentemente de um namorado!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Agora eu!



É como se minha alma tivesse voltado para meu corpo.
Ahh... Eu! Que saudade que eu tava de mim.
Dos meus sorrisos sem motivos,
Das minhas piadas sem sentido,
Da minha voz cantando feliz na hora do banho,
Da minha vida organizada e ao mesmo tempo bagunçada
Do meu quarto desarrumado e das minhas gavetas arrumadas
Dos meus textos falando de amor,
Meus gostos,
Meus hábitos,
Meu céu...
EU!
Que saudade das minhas poesias,
Da minha mania de achar que a vida é uma delas e de vivê-la dessa forma.
Abraçar muito todo mundo, tomando atitudes sempre conscientes, de maneira a conseguir arcar com cada uma delas depois.
EU, EU, EU, mil vezes eu!
Como é bom olhar pra mim mesma e me reconhecer,
Olhar pra trás e não se arrepender, pois afinal... não era eu.
Eu não era mais eu mesma.
Ou era, mas num daqueles poemas bem tristes...
Que saudade de mim, de me ver dançando sem motivo,
Cantando tudo errado... conseguindo ser feliz.
Do meu jeito, meio desajeitado, mas do jeito que sempre fui.
É bom matar a saudade de mim mesma...
É bom olhar pra vida e ter certeza de que tudo passa e de que sou capaz de fazer coisas que até eu duvidava.
É bom me ver crescendo, é bom me ver pensando em me entregar, sentindo medo de tal, sentindo o peito apertado daquele jeito feliz e bom!
Sinto-me viva! Sinto-me eu!
Como nunca fui antes...
Tão eu!
Matando saudade de coisas tão simples que eu costumava fazer...
Matando saudade de mim mesma.
Uma descarga de eu mesma para mim mesma.
Uma alegria vinda de dentro de mim, para mim.
Única e exclusivamente para mim!

"Melhor pensar que não existem finais... Como se fosse possível acabar com a infeliz ilusão de um dia estagnar. O limite entre fim e começo só existe na teoria, pois na hora que um ciclo ''acaba'', é porque outro já começou.”