domingo, 12 de junho de 2011

Nostalgia



No dicionário, saudade significa: 1. Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhado do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia.2. Pesar da ausência de alguém que nos é querido.

Saudade da época em que tudo que eu queria era a nova boneca que andava e era quase do meu tamanho.
Tudo que eu mais esperava era chegar o natal para ver a minha mesa cheia de caixas de brinquedo e poder competir com a minha prima quem tinha ganhado mais presentes.
Sinto falta de quando meu sonho era ganhar aquela nova mochila de rodinha das princesas, se eu ia ficar na mesma turma da minha melhor amiga ou se eu ia gostar do filme da sessão da tarde.
Saudades da época em que a minha maior preocupação era com os efeitos que eu ia colocar nas fotos que eu tirava no meio da tarde sem o menor sentido e quantas horas eu ia passar no computador.
Meu maior medo era que minha mãe descobrisse que todo o tempo que eu dizia que estava estudando ou na escola, eu estava fazendo outras coisas.
Lembro da época em que as conversas das meninas eram sobre garotos, saídas e shopping. Mas eu só escutava porque nunca tinha beijado ninguém e minha mãe mal me deixava atravessar a rua da escola, muito menos ir até o shopping sozinha com as minhas amigas. Além do mais, por tudo isso, eu acabava sendo excluída das conversas, me sentia deslocada e me juntava com pessoas que tinham a situação parecida com a minha. O problema é que eles também eram excluídos e o fato de eu andar com eles fazia com que eu assinasse a minha sentença de “garota excluída”. Mas eu nem ligava, quer dizer, no fundo até me importava, mas o que eu faria?
Lembro de quando eu temia que minha melhor amiga e eu nos separássemos devido às outras amizades que a levavam a se afastar de mim.
Me lembro a época em que a minha maior preocupação era pra onde eu ia sair no final de semana e se minha mãe deixaria eu ir ao cinema com aquele menino que estava me dando mole.
Saudades da época em que meu maior medo era se eu ia beijar bem e se ele ia gostar do meu jeito.
E na época dos meus 15 anos? Ai que fase linda. Tudo que eu mais queria era que meu príncipe e primeiro amor - que por sinal, não foi correspondido- pudesse ir até a minha casa naquele dia para ensaiarmos a valsa. Já estava tudo pronto, mas mesmo assim eu queria que ele fosse até lá. Só para passar o dia comigo.
Me lembro de quando tudo que me afligia era se eu ia pra Sitio Bom no final de semana para reencontrar o pessoal, escutar forfun nas pedras da praia, olhando a lua, ou dançar nas festas da casa do Heitor. Mas se não tivesse nada pra fazer, tudo bem... A gente simplesmente ficava sentado na pedra, em frente a casa da Robertinha, conversando sobre assuntos aleatórios. Me lembro de quando eu tinha hora para entrar e era sempre quando estava ficando mais legal. E quando eu chegava em casa, minha mãe estava me esperando acordada para cheirar a minha boca.
Me lembro de quando eu apanhava por ter bebido. Era tão engraçado. Uma criança querendo fazer coisas de adulto. 
Saudade da época que comecei a sair pra dançar e que beber uma lata de cerveja era igual a fazer a coisa mais proibida do mundo.
Meu maior vicio era o fake e tudo que eu mais queria era poder passar dias e noites inventando uma história que jamais poderia fazer parte de uma realidade. Pensando em coisas novas para fazer com o Chuck, na nossa vidinha capenga e romântica. Eu era apaixonada por ele e minha maior preocupação era se ele estava com mais alguém além de mim ou se ele não ia me deixar nunca... Depois, veio a Kin e a nossa ilha mágica, cheia de amor.
Me lembro perfeitamente da época em que todos os finais de semana eu saia com os meus “melhores amigos, inseparáveis, infinitos, que nunca iam me deixar de lado pro nada nem por ninguém, que me amavam incondicionalmente e fariam tudo por mim”. Hoje são só pessoas que eu falo bem raramente, porque estam todos namorando e tem muitas coisas mais importantes para priorizar do que uma simples amiga de farra e de momentos de solidão em que tudo que eles precisavam era de um ombro amigo.
Me lembro de quando andei de carro com um deles sem que meus pais soubesses e aquilo, pra mim, foi a maior aventura do século.
Saudades da época em que eu usava franja, pintava meus olhos de preto e, na hora do recreio, ficava na sala tirando fotos ou escrevendo sobre coisas que me faziam chorar.
E meu primeiro amor? O que “correspondeu”. Ah, que saudades que sinto de sentir aquilo. Era tão doce, puro, intenso. Eu o queria “para sempre”. Mas algo o prendia. Eu não tinha estrutura psicológica, física nem mental para compreender como alguém não consegue se apaixonar por uma pessoa que faz tudo por ela. Eu só tinha 16 anos...
Nada me faz esquecer de quando viajei pra Bahia com meus pais e minha irmã. Deixei de ficar com inúmeros meninos bonitos porque estava perdidamente apaixonada. Até fiz uma tatuagem de rena no braço, rs. Que ingênua.
Saudades da época em que minha maior preocupação era com que blusa o professor de física ia dar aula e quanto eu precisaria tirar na prova para ter 500 na soma de pontos no boletim, para passar de ano.
Me lembro a raiva que eu sentia das pessoas que coordenavam aquela escola e sei da falta que sinto delas hoje em dia.
Me lembro de quando fiquei de recuperação final e tive que estudar matemática até o natal.
A partir daí, começaram as minhas verdadeiras preocupações. Me lembro muito bem da época em que nada pra mim era problema e que eu podia resolver tudo com um pé nas costas e os braços amarrados. Mas tem um momento na nossa vida em que tudo começa a se complicar.
Meu namorado da época era um lerdo, não fazia o menor esforço para me agradar e me deixar feliz. Quando estávamos no auge da felicidade, ele resolveu terminar e essa foi a fase em que eu mais sofri em toda a minha vida, depois da morte da minha avó.
Minhas notas eram as piores e eu precisava passar de ano. A situação financeira aqui em casa apertou e minhas amigas começaram a se afastar de mim sem motivo.
Eu queria um namoro sério, mas parecia que era só eu que desejava isso, mesmo. Volta e meia, eu chorava sem motivo e sentia dores no peito no meio da noite. Acordava gritando e chorando, mas depois que passou, eu amadureci e comecei a ser mais responsável. Em termos, porque essa foi a época que comecei a fumar e bebia sem limites.
Chegou o terceiro ano e minha preocupação começou a se dividir em várias, por mais que só devesse ser uma: Estudar.
Acordava pensando se ia fazer sol pra eu pegar um bronze. Saia da escola pensando se ia dar tempo de eu ir pra academia lutar boxe. Ia pro PH, sonhando em voltar pra casa para entrar no computador. Eu estudava também, mas eu só tinha isso pra fazer, então sobrava tempo.
Até que o ano acabou, descobri que tinha passado pra onde eu queria ir: UERJ.
Fiquei 8 meses sem fazer nada porque coloquei a faculdade pro segundo semestre. Ou seja, eu não tinha mais nenhuma preocupação além de pegar sol, sair final de semana e gastar dinheiro.
Comecei a trabalhar, fazer inglês e espanhol e quando a faculdade começou, minha preocupação era tirar 10 em tudo.
Hoje, continuo preocupada com isso, mas dou muito mais valor as amizades que eu consegui fazer, prezo a minha família como nunca, sei das minhas obrigações, corro atrás do que eu quero, enfrento barreiras para ser feliz e busco sempre o equilíbrio. Mas uma das coisas das quais eu mais me preocupo é com o meu futuro. Estudar, fazer cursos, ser alguém na vida, trabalhar, comprar um carro, arrumar um namorado, ganhar bem e manter meu padrão de vida atual.
Mas que eu sinto falta, eu sinto, da época em que tudo que eu mais queria era aquela boneca que eu entupia de comida e ela cagava baldes.
Bons tempos...

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