sábado, 25 de dezembro de 2010




"Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance; para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que lanejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."


Quase, Luiz Fernando Veríssimo.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Certos detalhes ...




Ele não pensou duas vezes quando eu disse que queria dar um cheiro nele, esqueceu os perigos e riscos (assim como eu) e veio me encontrar.
Eu estava tensa, confesso, porque alguém podia chegar e mesmo que não estivéssemos fazendo nada que qualquer um que chegasse, não pudesse ver, eu estava aflita e não conseguia parar de sacudir as pernas. Até aí normal demais pra mim, rs.
Ele me surpreende a cada dia. Não imaginei que ele fosse vir mesmo. Ele tem quase tudo que eu quero pra mim. Só falta ele crescer (mentalmente, porque de altura já basta) e ajeitar mais alguns detalhes. Como sempre, ele foi todo carinhoso e nosso nível de intimidade aumenta a cada dia, porque eu sou apaixonada por ele e fica até difícil de negar algum pedido, mas eu sou obrigada a me controlar. Não quero nenhum pente e rala, não quero uma diversão que no dia seguinte vai ser lembrada, simplesmente como uma noite boa. Eu não quero sexo puro, eu quero amor, relação de confiança, intimidade, carinho e isso tudo requer algum tempo de convivência. Tudo bem que a gente já se conhece há mais de oito anos, mas a gente não convive, não se vê sempre, nem nada do tipo.
Eu gosto demais dele, tanto, tanto, que mesmo a gente não tendo nada sério, eu fiquei chateada de saber que ele ficou com uma menina que conheço. Mas o que me alivia é que ela é desfrutável e que, como diz ele, “não vale nada” e sei que meninas assim não o agradam. Tivemos uma criação bem parecida e da mesma maneira, nos ensinaram que: o príncipe sempre se casa com uma princesa e não com uma biscate qualquer que sai pegando o reino inteiro.
Mas voltando ao assunto...
Ficamos que nem casal de apaixonados, dando beijinhos lentos, com as mãos no rosto um do outro, com a mãozinha dele alisando meu cabelo, com as mãos dadas e ouvindo música. Tudo bem que em alguns momentos a gente se empolgava, afinal... Meio difícil de isso não acontecer né.
Mas eu amo esse garoto e ele diz que me ama também. Até disse que quer passar a vida inteira comigo. Mas nem me fale em vida inteira, que eu saio correndo na hora, rs.

( R. D)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Um nó na cabeça .



- Já que minha mãe não quer que eu beba, vou afogar minhas mágoas com leite desnatado integral light, pra não engordar.


Pode parecer, mas eu não sou uma pessoa 100% transparente, que fala o que sente. Falo o que penso e o que acho que deve ser feito em alguma situação, mas o que eu sinto, não é muito comum eu dizer. Me abro pouco e pra poucas pessoas. Meu coração é fechado e tem medo de ser magoado, por isso fica bem quietinho e prefere não se expor muito.
Eu sou divertida, animada, brincalhona e sincera, então parece que sempre estou bem. Eu não fico emburrada com facilidade, não fecho a cara pra quase ninguém e são poucas as pessoas que não sentem nada por mim. Normalmente ou me adoram, ou me detestam ou simplesmente gostam de mim, mas nada demais. Justamente por essas características que citei acima, presumo eu.
Mas o que me corrói, hoje, é que às vezes eu preciso me abrir e dizer o que estou sentido de verdade, mas não tenho créditos porque são poucas as vezes em que eu falo sério com alguém, seja lá sobre o que for. No meio, eu sempre encaixo uma piadinha.
Hoje parei pra pensar sobre quantas coisas estão acontecendo pelo mundo a fora e eu estou aqui, parada, sentada na frente de um computador, escrevendo sobre como me sinto, como se meu Word fosse meu psicólogo (bem... já deve ter virado).
Meu pai disse que isso se chama crise existencial e que Shakespeare a intitulou como: “ser ou não ser, eis a questão”. Acho que isso não tem nada a ver, mas meu pai às vezes vem com umas que nem o coisa ruim desvenda.
Eu queria viajar, nem que fosse pra sitio bom, fugir um pouco da minha rotina, ir à praia todo dia, “sair” toda noite, rir com meus amigos, ser feliz. Não que eu não seja, claro que eu sou, aliás, sou até feliz demais. O problema é que eu não saio desse quarto faz dois dias. Só saio pra comer e olhe lá.
Estou me sentindo cada dia mais feia, não gostei do que fiz no meu cabelo (descolori com blondor), roí todas as minhas unhas, estou cada dia mais gorda e toda essa ansiedade e vontade de viver o que não vivi, me deixa cada vez mais louca. Não é vontade de experimentar, descobrir, fazer besteira não. É que eu quero viver uma vida de vagabundo por, pelomenos, uns 3 dias, que seja. Acordando meio dia, indo pra praia, dormindo à tarde, saindo à noite, indo dormir com o dia clareando para no dia seguinte repetir tudo isso.
Eu nunca me senti assim. Sempre tenho compromisso e aqui no rio, não saio do quarto pq quero ficar o dia todo no computador, afinal, fora a piscina e a academia, eu não tenho mais o que fazer. E quando saio é só final de semana e mesmo assim não posso me entregar à minha noite, tenho que ficar ligada em pessoas em volta, com a maneira com a qual vou voltar pra casa, com o quanto posso beber, se tem conhecidos em volta, o que vão pensar de mim. Isso tudo QUANDO eu resolvo colocar o pé pra fora de casa.
Me sinto inútil e quando resolvo desabafar isso com meus pais, tudo que meu pai diz é: "Procura um emprego. Não quer ser livre? Vai morar sozinha, tchau e benção". Estimulante! É como se eu não fosse fazer a menor diferença aqui. Aposto que vou. Ele fala da boca pra fora, mas eu fico me sentindo mal.
Eu quero quebrar minha rotina, quero rir, brincar, feito criança, curtir sem me preocupar com todas essas coisas que aqui no rio sou obrigada a me preocupar e esquecer que daqui a alguns meses a minha rotina - de pegar ônibus cheio pra voltar da faculdade pra casa- vai recomeçar. Terei que ficar em casa estudando, lendo, fazendo trabalhos, tensa e aflita com os resultados porque por mais que meu pai não pague um centavo pra eu estar estudando lá, eu me sinto meio que na obrigação de demonstrar pra ele que estou me esforçando e fazendo – como ele diz- a única coisa que preciso fazer. Como se ele precisasse fazer algo mais do que trabalhar. É a mesma coisa, cada um com a sua função no seu devido momento. Além do mais, é bom mostrar notas boas pra ele, ele sempre me elogia e me dá parabéns. A minha mãe nem tanto, ela acha que se me elogiar muito, eu vou começar a cobrar recompensas. Deve ser isso, pq ela raramente fala por livre e espontânea vontade: "poxa filha, está de parabéns", eu que tenho que cobrar isso dela. Ou meu pai, que como ele fez, esfrega os resultados nas fuças dela pra ela se orgulhar de mim e mesmo assim ela nem demonstra muito orgulha, bom enfim... como eu ia dizendo sobre trabalhar... Não estou na idade, nem tenho necessidade de ficar indo pro batente, me desgastando pra sair da faculdade meio dia e meia e ter que estar aqui a uma pra trabalhar. Não teria tempo nem de comer, mas tudo bem, eu faria, até porque voltaria a ver e lidar com as crianças diariamente. Seria ótimo pra mim, mas ainda aguardo resposta da dona Vivien.
Boom, mas voltando ao assunto...
Estou presa nesse quarto com a minha auto-estima que beira o fim do poço. Eu sei que eu sempre digo que meu fundo do poço tem uma mola, mas esse poço e esse caso, não sei se tem mola e se tiver é daquelas bem pequenas, de caneta.
Vem aí o natal, ano novo, vou pra Bahia e vamos ver né... Quem sabe eu me anime um pouco mais e tenha mais vontade de viver.
Parece que não tenho objetivo, não tem porque eu estar aqui. Drama? Não... Duvidas. Porque eu vivo? Pra que? Qual a diferença que faria se eu não vivesse?
Pense...