domingo, 2 de janeiro de 2011

Ressaca !


No dia 31 de dezembro de 2010, no cas do clube de Sítio Bom, os fogos estavam lindos, eu olhava e viajava nos meus devaneios, que estavam tão presentes e tão ativos, que  toda aquela barulheira, chegava a ficar quase que silenciosa. Meus olhos brilhavam diante de toda aquela maravilha. A festa foi boa, passei ao lado da parte da família que eu realmente posso chamar de família, fiquei com o menino que eu tenho vontade de beijar desde que o vi pela primeira vez – carnaval de 2008. Levados pelo ritmo do hip hop, nos deixávamos embalar por uma dança sensual e a cada minuto, ele me puxava delicadamente - como se não quisesse que eu percebesse as suas reais intenções- pelas costas para que eu me aproximasse dele. Até que nossos corpos ficaram quase que totalmente juntos. Ele tem uma maneira característica de dançar: sempre fica com a mão na testa, olhando pra baixo e rebolando o quadril – daí o apelido, obviamente criado por mim, Rebolation. Uma das mãos ele já tinha tirado da testa e colocado nas minhas costas, até que finalmente ele movimentou a outra mão até a minha nuca e aproximou seu rosto do meu. Fechei meus olhos, esquivei um pouco mas logo pensei que seria uma tremenda idiotice perder uma oportunidade dessas e nos beijamos. Até que ele beija bem...
Estávamos suados, a sensação térmica, pelomenos pra mim, era de 45 graus. Ele me olhou por alguns segundos, como se admirasse algo lindo, sorriu, segurou meu rosto com as duas mãos, como se não acreditasse no que estava vendo e me abraçou. Perguntei o porquê daquele olhar e ele me respondeu que há muito tempo ele queria aquilo. Então porque não disse logo, né...  Vai entender. Ele pegou a minha mão e colocou no coração dele, que batia acelerado e eu perguntei novamente o porquê daquilo e ele mais uma vez me respondeu que queria aquilo há tanto tempo que nem mesmo seu coração estava acreditando. Que gay! Enfim...
Nos beijamos mais algumas vezes, ele me pegava pelas costas e me colava nele, o que me fazia suar ainda mais. Eu só conseguia pensar que aquilo só podia ser um sonho e me perguntava se a Fabiana estava vendo aquilo. Ela sabia o quanto aquele momento tava sendo importante pra mim.
Depois a festa acabou, ele foi embora e eu continuei na rua, quer dizer, na praia. Cheguei em casa com o sol raiando e pouco consegui dormir. Meu sono anda meio agitado ultimamente.
No dia seguinte, ou seja, ontem, fui pra uma festa que rendeu boas histórias. Quando cheguei em casa tudo a minha frente parecia girar e eu não conseguia nem me equilibrar nem andar em linha reta. Como diria minha abençoada mãe, eu cheguei trocando as pernas. Quando acordei, olhei pro meu pulso e cadê meu amado relóginho?  Pois é, perdi. Ele é todo de encaixar, deve ter desencaixado e caído do meu braço em algum momento que não faço idéia de qual tenha sido.
Agora, minha cabeça está pesada, sinto um enjôo indescritível e to começando a sentir fome e vontade de comer. Detalhe que são quase 20 h e eu acordei por volta das 13.
Ta decidido! Vou dar um tempo de bebida. Já esta na hora de isso acontecer. Não digo que nunca mais irei beber (apesar de eu já ter repetido isso umas 50 vezes hoje), mas que eu vou ficar um bom tempo sem sentir nem o cheiro de álcool, ah isso eu vou. 

sábado, 25 de dezembro de 2010

Eu aprendi que ...



Aprendi que ...
'amores eternos' podem acabar em uma noite. Que grandes amigos podem se tornar grandes inimigos.
Que o amor, sozinho, não tem a força que imaginei. Que posso dizer que amei e no fundo descobrir que nem gostei.
-Que ouvir aos outros pode ser o melhor remédio ou o pior veneno.
Que a gente nunca conhece uma pessoa de verdade, afinal gastamos uma vida inteira para conhecer a nós mesmos.
Que confiança não é questão de luxo, e sim de sobrevivência.
Que os poucos amigos que te apoiam na queda, são muito mais fortes do que os muitos que te empurram.
Que o 'nunca mais' nunca se cumpre. Que o 'para sempre' sempre acaba.
Que ainda não inventaram nada melhor do que colo de mãe desde que o mundo é mundo.
Que vou sempre me surpreender, seja com os outros ou comigo. Que vou cair e levantar milhões de vezes.. e ainda não vou ter aprendido tudo ! 



"Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance; para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que lanejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."


Quase, Luiz Fernando Veríssimo.