quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Amizade colorida (?)



Ele vem chegando assim, com aquele jeito de andar -meio curvado pra frente- , devagar, arrastando os pés e assim que me vê sorri e seus olhos brilham.
O meu coração acelera na medida em que ele se aproxima. Finalmente ele está frente a frente a mim. Sorri e diz: "não disse que eu vinha? "
Apenas sorrio, fico sem reação. Ele aproxima sua cabeça da minha e vai virando como se quisesse encaixar meu rosto no seu. Pega, então na minha nuca, vai abaixando o corpo e chegando sua boca perto da minha, sem parar de me olhar e sorrindo de leve. Arrasta seus labios nos meus e então me beija. O beijo dele é devagar, pertinente ao clima, do jeito que eu gosto. Não demonstra o maior fogo na frente de todos. E também não sei como seria quando estivessemos a sós... isso é algo que talvez eu ainda descubra. Mas não é assunto pra ser pensado agora. Enfim...
Ele tem o beijo lento, na medida certa, abre pouco a boca, eu o acompanho... gosto do beijo dele. Nunca gostei de beijos com a boca pouco aberta, mas sei lá... acho que do dele, eu aprendi a gostar do jeito que é. Quanto a lingua... ele sabe usá-la durante o beijo. 
Nosso beijo é longo e minhas bochechas ficam rosadas e quentes. Uma das mãos ele coloca na minha cintura e a outra continua na minha nuca. Ele entrelassa os dedos nos meus cabelos. Com um selinho a gente chega ao fim daquele beijo e ele se afasta lentamente de mim, ainda com os olhos fechados, mas rapidamente ele os abre só pra ver os meus fechados. Diz que gosta disso. Faz isso enquanto puxa delicadamente meu cabelo, fazendo minha cabeça ir um pouco pra tras, afastando meu rosto do dele , para que ele possa ver o meu rosto com mais clareza. Eu, então, abro os olhos, olho pra ele e sorrio.
Ele sorri meio de lado, enquanto fecha, sem querer, um pouco os olhos e no sorriso, ele afasta, sem querer, os dentes de cima, dos de baixo, deixando um espacinho, que faz o sorriso dele ficar lindo. Os olhos dele brilham e ele adora o brilho dos meus. Então ele diz: " você é linda". Eu sorrio e ele me abraça - aquele abraço abrangente, que acolhe, que acalma, abraço amigo, cheiroso, gostoso. Ele é grande, bom de abraçar- e diz: "eu adoro o seu beijo". Sorrio novamente, fico sem palavras e apenas digo o que sinto: "eu também". 
Não que eu o ame, que queira casar com ele, envelhecer e viver feliz para sempre ao lado dele. Não se trata de amor, mas sim de carinho, admiração. Gosto dele normal, como uma amizade colorida. Mas ele me encanta com seu jeitinho todo fofo e carinhoso de me tratar. Aquele grandalhão, todo ogro, quem vai imaginar que ele é tão legal e tão amoroso?  É estranho, difícil de entender. Não é amor, não é amizade, é o que, afinal? sei lá ! nem eu sei...
Me lembro quando estavamos na terceira série. Eu era uma criança e já havia notado nele, eu era perdidamente apaixonada por ele, mas como toda crianca, tinha vergonha de assumir isso. Mas também... se eu assumisse, não adiantaria de nada, ele também era só uma criança, não faria nada. No máximo faria cara de nojo e diria: " uma menina? ECA! " rs. 
Mas eu me lembro de muitas coisas, detalhes que me marcaram, momentos em que estavamos sós, que ele pegou na minha mão mesmo sem querer, quando só queria uma borracha emprestado e eu a colocava no final da mão para fazê-lo pegar. 
Me lembro do quanto pensei nele, do quanto queria estar ao lado dele e do quanto contava os minutos pra chegar no dia seguinte e vê-lo na escola...
Reparei e reparo em detalhes que talvez ninguém nunca perceba. Coisa de quem realmente admira, se encanta pela outra pessoa. É um velho amigo, temos uma longa história - passada e futura. 




- ( R. D )

Não sei... só sei que sou assim !



As pessoas perguntam o porque de eu ser assim. Não sei! nasci assim. Se realmente existe  Deus e as funções que dizem que ele tem... então ele quem determinou que eu seria assim quando me colocou no mundo.
Eu sou ligada no 220, acelerada, ansiosa, não sei esperar, quero tudo ha tempo e a hora... não gosto de ter trabalho, mas se precisar... me esforço, dou meu máximo para provar o quanto sou capaz. Sou seduzida fácilmente e me arrepio só com a respiração ofegante no meu ouvido. Sou fraca e ao mesmo tempo muito forte. Não sou decidida mas também não sou indecisa. Mudo de opinião com facilidade e gosto de provar tudo o que ainda não experimentei. Tenho fogo mas não gosto de queimar qualquer um e nem em qualquer lugar. Preciso de confiança e privacidade. Sou simples, não sei ser delicada e gosto de pequenos gestos, que com amor, se tornem a maior das declarações.
Eu não gosto de gente lerda. Sou devagar pra raciocinar, para chegar a algumas conclusões, mas na hora de agir... é o que eu faço de melhor.
Parece uma propaganda, tipo: "Me compre, sou um produto de qualidade, prometo não te decepsionar e funcionar sempre que vc precisa. Garanto excelência e tenho certeza que você não vai se arrepender". Mas não se trata disso, visto que ninguém lê meu blog, eu espero.
Minha mãe, que me conhece e sabe tudo sobre mim, diz que homem nenhum vai suportar uma mulher assim. Odeio ronco, não consigo dormir com barulho, com nenhuma luz acesa, sou calorenta e não gosto que me agarrem na hora de dormir. Sou espaçosa e gosto de ter O MEU espaço. Não sei cozinhar nem arrumar a casa, mas sei dar  amor...
Na matemática das coisas... Não gosto de dividir o que é meu (coisas materiais). Mas aceito que dividam comigo tristezas, preocupações, etc. Sei multiplicar felicidade e somar amor.
Passo por crises existênciais, como todas as mulheres e tenho ataques de estresse, cólica e choros, nas TPMs.  Sou franca, falo tudo que penso e muitas vezes acabo me dando mal, por isso. Eu não sei ficar parada  e muito menos sei dormir o dia inteiro. Sou carinhosa, melosa, romantica, grudenta e gosto de ser paparicada. Quando eu amo, eu amo de verdade. Será mesmo que nunca vou conseguir encontrar alguém que se encaixe nisso tudo? 
Essa não é a minha preocupação agora, mas obviamente, um dia, vou querer casar e construir uma família. E aí sim vou querer encontrar alguém que goste de mim como eu sou e que me ama, me proteja e me paparique. 
Por enquanto, to feliz solteira... meus namoros não dão muito certo. Eles são meninos demais pra mim. Não sabem lidar com uma garota como eu. É areia demais pro caminhãozinho desses pé rapados. Não que eles tenham caminhõezinhos, mas é que o motor 1.0 não serve pra mim. Meu motor é evoluído, 4.8 - se é que isso existe, rs .

terça-feira, 7 de setembro de 2010

É pedir pra morrer !





Desde o início eu já tinha dito que não queria ir. Mas ha uma grande diferença entre dizer que não quer ir e bater o pé, cruzar os braços e falar: "EU NÃO VOU, DESSA VEZ EU FICO". 
Seis horas de casa, pra passar tres dias, longe de inumeras tecnologias das quais não estou acostumada a viver sem. Tudo bem... se era pra eu me sacrificar, fazendo algo que eu não queria, teria que ser do meu jeito, pra compensar. Resolvi acampar com a fabiana e meus outros primos. No inicio do dia, quando montamos as barracas eu até cheguei a suar de tanto calor que senti. Acontece que ao anoitecer a temperatura desceu até os 10 graus. Eu não me lembro de ter sentido tanto frio. 
Mas foi legal... andei à cavalo (inclusive com os cavalos que meu pai levou na carreta, rebocando: O GRANDE MOTIVO DE EU ESTAR ESCREVENDO ESSE TEXO), fui nas cachoeiras mais lindas, como já é de costume sempre que vou lá, fiquei com a minha família, etc... bom, foi divertido só pelo fato de estar com eles. Era comemoração do aniversário da minha irmã, lá não pega celular e se eu ficasse aqui, minha mãe ficaria tensa sem saber de mim, estando tão longe... enfim, eu precisava ir. Bom, legal, nice, great, very good, eu fui ! Puta da vida, mas fui. Não demonstrei insatisfação, em nenhum momento. Nem adiantaria, não teria como voltar. Então... "relaxei e gozei" ;D 
Enfim... hora de voltar pra casa!
Às 6:15 ouço baterem na minha barraca, era minha irmã... "Hora de irmos, acorda" - como se eu realmente estivesse dormindo, não consegui pregar o olho nenhum desses dias. Num pulo eu levantei, troquei de roupa lá mesmo, catei tudo que era meu, coloquei no carro e fui tomar café da manhã. Tudo estava bem até então. Arrumamos o carro enquanto meu pai colocava os cavalos na carreta, com ajuda do mineiro, dono da casa que meus pais estavam. Até que foi fácil, se comparado ao sufoco que foi pra eles entrarem na ida.
Minha irmã precisaria estar às 15hrs no trabalho, eram 8 da manhã, são 5 horas de viagem... daria numa boa. Se não fosse aquela serra toda cheia de lama.
Passei por um sufoco que jamais esquecerei na vida. Vinhamos numa boa mas antes de terminarmos o primeiro terço da serra de mauá, fizemos uma curva em que o carro girou por volta de 100 graus e assim foi descendo de lado por uns 5 metros, sem que meu pai conseguisse frear. O desespeiro aumentou quando vimos que se o carro fosse para tras mais dois ou tres palmos, caíamos ribanceira abaixo. A sorte é que não veio nenhum carro desembestado atrás, se não tinha batido na gente e teríamos caído.
A sorte ainda maior foi que o primeiro carro que veio - porque depois vieram muitos outros e fez engarrafamento- tinham dois homens: um era mecânico, motorista de taxi, caminhão, segundo o outro, ele faz de tudo! o outro é amigo dele, tava dirigindo e parou pra nos ajudar. O primeiro foi na carreta, freando ela pra não derrapar ainda mais e o segundo nos levou - eu, minha mãe e minha irmã- até o fim da serra.
Descemos a serra a cerca de 10 km/h, levamos 2hrs pra cruzar algo que normalmente demora 50 min. O pior nem foi esse... o pior foi o sufoco, a tensão, o estresse, o medo, a aflição. Aquela serra parecia que não ia acabar nunca e a impressão que dava era que a qualquer momento aquela carreta ia deslisar pro lado, ficar na ponta da ribanceira e o carro, que não aguentaria, seria puxado e meu pai iria embora...
Olha o prejuízo que daira: o carro, que não era nosso, dois cavalos de raça, caros, morreriamos todos e ainda destruiriamos a carreta que também não era nossa. Total falta de responsabilidade do meu pai.
Quando chegamos no fim da serra, estavamos com os pés cheios de lama, que sujamos na hora de passar de um carro para o outro (tinha mais ou menos três palmos de lama, uma camada bem grossa). 
No fim da serra tinha uma bar, fomos no banheiro, nos lavamos, voltamos para o carro e quando todos se acomodaram... meu pai ouviu de lá até chegar em casa.
Que doença... poderia ficar tres dias sem essa droga de cavalo. Todo mundo avisou que seria um risco muito grande, que não valeria a pena, que a estrada estava horrível. Mas ele não ouviu ninguém. Depois fala de mim, que só aprendo quando dou de cara na parede. Tenho a quem sair, então.
Fala sério! nunca mais, nunca mais. Eu falei mil vezes pra ele : EU TÔ FORA ! 
Ele sempre repete um milhão e trezentas mil vezes a mesma coisa e diz que é pra eu não esquecer, pra ver se eu aprendo. Apliquei a prática pedagógica dele, nele mesmo. Falei tanto que acho que ele nunca mais vai me chamar pra nenhum tipo de P.I - programa de índo- desse nível. Nem se quer chamar, quem dirá insistir pra eu ir. CHEGA !
Aqui no rio teria sido muito melhor. Ou quem sabe em sitio bom... po, mil vezes lá do que mauá que não tem absolutamente nada pra se fazer. 
Conclusão: não durmo a cerca de quatro noites, estou mais cansada do que quando fui, to estressada, não estudei nada pra prova de amanhã e ainda to puta com meu pai. Detalhe: minha irmã teve que se trocar no carro, ir direto pro trabalho e mesmo assim ainda chegou 40 minutos atrasada.
Que belo feriado... bom, eu espero que o próximo compense. Estamos pensando em ir pra argentina e finalmente realizar meu sonho de conhecer Buenos Aires.
Mas de cavalo, carreta, mauá e outros P.I's do tipo... EU TÔ FORA, mais uma vez, rs .