quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Pequena pra quem vê, gigante pra quem conhece !



Não é o tamanho que influencia na atenção que a pessoa recebe. Ela pode achar que por ela ser pequenininha, quase ninguém a nota e quando ela precisa falar, ninguém ouve. Mas eu ouço. Pode parecer que não, mas eu sempre sei do que ela está falando. As vezes eu esqueço, é tanta informação que algumas acabam sumindo. É humano, eu também esqueço, como todo mundo.
Mas pra mim, ela, em “pouco” tempo (menos de um ano), já se tornou uma pessoa enorme: com um coração gigante, amiga, companheira e que se parece comigo em muitos aspectos.
A grandeza não ta no tamanho -no metro e quarenta e sete dela-, mas sim no coração, como eu disse antes.
A gente nunca tinha se desentendido antes (não que eu me lembre)... até anti-ontem em que, por ciúmes -com razão- ela começou uma discussão em que foi dito tudo que estava guardado. Algumas coisas meio sem sentido de ela falar, outras com total razão. Prometi passar resto da semana com ela e foi o que eu fiz. Mas hoje, mais uma vez a gente se desentendeu. A toa, no meu ponto de vista e com muito motivo, ao ver dela.
Por um simples corte de uma história que ela estava narrando – que pelo que ela diz, é milésima vez que eu faço isso- ela fechou totalmente a cara e quase não falou mais. Não é que eu corte o que ela ta falando, mas num diálogo duplo, normalmente as duas pessoas falam e quando uma pensa alguma coisa sobre o que a outra ta dizendo, geralmente diz. Mas com ela é diferente... ela espera eu terminar, pra no final, falar tudo que ela pensa sobre o que eu disse. Mas se eu fizer isso, eu esqueço!
Eu não fiz por mal, eu tava com fome e só quis saber se ninguém mais queria comer. A gente podia continuar conversando enquanto comia ué.
Minha pequena é meio carente e, por seus motivos, com certeza.
Sabe o que eu acho? Que em casa ela é muito pouco ouvida e que ninguém quer saber nem como foi seu dia. Talvez ela precise de alguém que lhe dê total atenção e que se preocupe com o que ela sente – todo mundo precisa disso.
Não é que eu a trate como segunda opção, pelo contrário! Aqui em casa ta todo mundo falando: “agora tudo é Mayara, só se ouve falar em Mayara. Você não tem outras amigas não?” – ar de deboche na minha fala.
Não! Agora só se fala em Mayara porque ela é uma das amigas que eu estou convivendo mais, indo mais na casa, etc.
Ela pode achar que não, que eu só quero saber de Luisa. Mas a Luisa diz a mesma coisa. Eu tento dividir meu tempo, mas é complicado. Ambas são possessivas e não sabem dividir as amigas- tom irônico.
Se eu conhecesse a Luisa HOJE, com certeza não nos daríamos bem. Não somos parecidas, mas fomos obrigadas a crescer juntas e hoje em dia nos conhecemos muito bem e é por isso gente consegue conviver muito bem – mas não por mais de dois dias.
Com a Mayara isso não acontece. Nos conhecemos do nada e somos muito amigas. Ela, inclusive, é uma das minhas melhores amigas. Odiei brigar com ela.
Pensemos pelo lado positivo: todo mundo que se gosta e se interessa em se dar bem com outra pessoa, acaba discutindo, seja lá qual for o motivo.
Sempre há desentendimentos, eu sei disso. Mas não gostei de ter brigado com ela, assim como não gosto de brigar com ninguém que eu sinta algo importante. Se ela fosse uma qualquer, eu nem ligaria, mas eu adoro ela, não tem como não ficar mal.
Me deu muita vontade de chorar, fiquei muito triste, mas ela já me explicou que ela fica muito sensível quanto ta mestruada e que não foi a intenção me deixar assim.
Eu “entendi”. Quer dizer, mais ou menos. É porque eu não sou de ficar chateada por pouco. Depende! Posso não sentir a “picada de um marimbondo, mas ficar toda empolada com o suave pousar de uma mosca” – no sentido mais figurado possível. Isso quer dizer que uma coisa pequena pode me deixar pior do que algo enorme e vice versa. Mas cada um é de um jeito e não vou julgá-la por isso. Apenas aprender a conviver porque eu, definitivamente, não quero deixar de ser amiga de alguém que tem me ensinado tanta coisa importante a respeito da vida.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011


É como se eu seguisse sempre o caminho que alguém está traçando pra mim. Eu não tenho poder de escolha e quem pinta a pista pela qual eu sigo, são sempre as mesmas pessoas: meus pais.
Eu os vejo numa estrada vazia, sem nada dos lados, atrás e na frente e um balde de tinta com um pincel. Ambos, alternadamente –dependendo da situação- desenham no chão uma pista larga e com tracinhos amarelos como se eu fosse passar ali de carro, como uma estrada normal, linha amarela, vermelha, via Dutra, etc.
São noites imensas entregues a uma imagem mal pintada, uma expressão mal desenhada, pálida e sem feição.
Uma figura torta, mal ajeitada, da qual não se espera nada. Nem mesmo um olhar morto sem sinal de razão.
Mas porque não sou eu que pinto essa estrada? Porque tenho que apenas seguir por ela sem, no entanto, saber onde ela vai dar?
Vejo uma imagem morta, tenho noites profundas de prazer solitário, melodias ausentes e, no entanto presentes.

- Estarei eu delirando?
- Vou lhe dizer... Creio e temo que sim. Está completamente louca, demente, de cabeça perdida. Mas deixe eu lhe contar um segredo. Todas as pessoas boas, criativas e felizes são assim. Não há o que temer não se preocupe.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Me sinto excluída.

“A separação da religião e do Estado é a única garantia de alguns direitos fundamentais, tais como as liberdades de opinião, de expressão e de culto. Assim sendo, é a única salvaguarda da democracia e constitui, sem dúvida, um dos grandes avanços da Humanidade, pois permite a convivência entre grupos distintos, respeitando sua diversidade.”

Eu só queria entender o motivo de tanto preconceito com quem não tem religião, não acredita em nada do que as igrejas e pastores dizem...

A constituição brasileira traz em uma de suas leis a seguinte:
“ARTIGO 18. Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância isolada ou coletivamente, em público ou em particular”.






Isso realmente acontece?

A grande massa acredita que sim, porém, eu não acho. Um país onde pessoas olham com desconfiança para qualquer um que mostre ter uma crença diferente e o estado anda de mãos dadas com a igreja, não pode ser chamado de laico.
Enquanto nossa constituição fala de um jeito perfeito e igualitário de sociedade, nossas televisões exibem programas com pastores falando mal de outras religiões e extorquindo dinheiro em nome de um deus que dificilmente existe.
Como pensar em liberdade religiosa quando quase 100% da população do país encaram a diferença de crenças como algo maligno e que deve ser exterminado?
Como falar de conceitos modernos se grande parte da sociedade esta sobre o controle de ditadores e baseiam seus conceitos em um livro com milhares de anos supostamente sagrado?
Um país laico, tão falado na constituição, não passa de um sonho filosófico na mente de algumas pessoas sãs. Vivemos em uma atualidade filosoficamente leiga, vivemos em um mundo onde um deus falso, supostamente espiritual, foi implantado na mente da sociedade.
O Brasil é um país laico? Não.
Nós não somos pessoas ruins, apenas não acreditamos que isso tudo que pregam, com a maior convicção, realmente exista. 
E nem por isso merecemos ser tratados de maneira diferente dos demais, pura e simplesmente por não crermos nas mesmas coisas.